terça-feira, 7 de abril de 2015

D. Fáfia Guterres

D. Fáfia Guterres (também se escreve Fafia) terá vivido em finais do século XI e na primeira metade do século XII, mais ou menos ao tempo do Conde D. Henrique e de D. Teresa e ainda do de D. Afonso Henriques. Ainda vivia em 1151 e era um senhor. Nessa data, com outros, fez um documento ao Mosteiro da Junqueira… Mas foi ele o principal doador.
O que o torna importante para a história do Outeiro Maior é o facto de em 1258 se escrever sobre ele, a respeito dos Cavaleiros, que são da estirpe – de genere – de D. Fáfia Guterres. Passava já cerca de um século sobre a sua morte. Isso fá-lo uma referência incontornável na parte mais recuada da genealogia destes senhores.
Segundo Sérgio Lira, terá sido filho de D. Guterres (os Lourenços da Cunha, que criaram a Quinta de Cunha, são também descendentes do mesmo).
Em 1167, os filhos de D. Fáfia Guterres fizeram partilha dos bens herdados do pai. O documento é breve, veja-se ao menos o essencial dele.
In Dei nomine. Ego Suerius Fafiz et Maior Fafiz una cum viro meo Petro Pelaici et Martinus Fafiz et Petruz Fafiz et Nunus Fafiz facimus plazum ex nostra bona voluntate de hereditate tota que nos advenit de nostro patre Fafie Gutieriz (…)
Em nome de Deus. Eu, Soeiro Fafes e Mor Fafes (juntamente com o meu marido, Pedro Pais) e Martinho Fafes e Pedro Fafes e Nuno Fafes, fazemos um acordo de bom entendimento sobre toda a herança que nos vem de nosso pai Fáfia Guterres (…)

Transcrevemos agora uma extensa citação do livro de Sérgio Lira Mosteiro de S. Simão da Junqueira - I, página 78:
Outro grupo familiar que vemos ter relação com a instituição (Mosteiro de S. Simão da Junqueira) é o constituído pelos descendentes de Paio e Fafia Guterres. Não temos qualquer prova de relação familiar entre eles, mas a cronologia das suas referências documentais, a igualdade do patronímico, a região geográfica onde transaccionam propriedades e a relação patronal com o mosteiro levam a admitir que tenham sido irmãos. De facto, já em 1151 encontramos um Fafia G. num documento em que é designado, entre outros, como patrono do mosteiro. Supomos não errar desdobrando essa abreviatura em Guterres, uma vez que o encontramos citado em 1084 como testemunha do acto de Soeiro Rouco, que já referimos. Encontrá-lo-emos, novamente, referido em documento de 1167 e, depois em 1180, sempre explicitamente como ascendente de patronos do cenóbio.
O documento mais antigo que menciona D. Fáfia Guterres fala de Gacim e do Mosteiro da Junqueira (vem de 1084).


Soeiro Fafes em Ferreiró

Nas Inquirições de 1220, nos Foros e Dádivas, ao falar de Ferreiró, informa-se que “há lá um casal de que costumavam dar outro tanto (como certas propriedades já mencionadas) e entrava aí o mordomo. E comprou-o o cavaleiro Soeiro Fafes e depois nada mais deram dele nem entra lá o mordomo porque o cavaleiro D. Romeu matou um e Martinho Mouro outro e depois os mordomos não ousaram mais lá entrar”.

Estes D. Romeu e Martinho Mouro deviam ser familiares de Soeiro Fafes, o filho de D. Fáfia Guterres. Tais bravatas de nobres eram então bastante comuns. 
Ferreiró foi quase na totalidade terra de Cavaleiros.
Aspecto da antiquíssima matriz de Ferreiró.

Testamento de Martim Peres, um bravio cavaleiro do Casal de Cavaleiros (1289)

Em 1258, declarou-se que a paróquia de São Martinho do Outeiro era "honra dos Cavaleiros desde antigamente, da estirpe de D. Fáfia Guterres". Nessa altura, já Martim Peres devia possuir a Casa (o "Casal") de Cavaleiros;  coloca-se abaixo o seu testamento que data de 1289. De facto, já há notícias desta Cavaleiro e da sua esposa desde 1244. Foi certamente ele ou seus familiares que reivindicaram a antiguidade da honra e se ligaram ao nobre nome de D. Fáfia Guterres, de quem Marinho Peres devia ser bisneto.
Este senhor de Cavaleiros foi um homem ambicioso e mau: teve filhos fora do casamento e roubou de diversos modos. Mas ao aproximar-se a morte, parecia arrependido e foi generoso.
A Marinho Peres sucedeu o filho abaixo mencionado Garcia Martins.
Repare-se que o Casal de Cavaleiros é também a dada altura chamado paço, o que indica uma origem remota e nobre da habitação.

Testamento de Martim Peres, Cavaleiro do Casal (de Cavaleiros), em que se manda enterrar no Mosteiro de São Simão da Junqueira e lhe deixa o seu leito e a sua liteira e dez morabitinos para o dom e um moio de pão e um moio de vinho pelas dízimas e pelas falhas que não cumpriu como devia; e aos religiosos três morabitinos por pitança em pão, em vinho, em pescado. E manda aos seus testamenteiros que comprem um cálice e livro e vestimentas para a Capela de Santa Maria que ele fez no Mosteiro de São Simão. E declara que o arroto de Cabanelas é do mosteiro.

In Dei nomine, amen.
Saibam quantos este instrumento virem e ler ouvirem que eu, Martim Peres, Cavaleiro do Casal, temendo o dia da minha morte, em minha vida e com todo o meu siso comprido, faço minha manda e meu testamento em esta maneira.
In primo, mando minha alma a Deus e a sua Mãe, Santa Maria, que a apresente ante seu Filho, Jesus Cristo, que por mim veio morrer na Cruz, e mando o meu corpo ser soterrado no Mosteiro de São Simão da Junqueira.
E mando dez morabitinos para o dom.
Item, mando ao dito mosteiro um moio de pão e um moio de vinho, pelas dízimas e pelas falhas que lhe não cumpri assim como devia.
Item, mando a Garcia Martins, meu filho, e a João Pais, abade de Santa Marinha de Ferreiró, quarenta libras do meu haver, que comprem nelas um cálix e livro e vestimentas, quais eles virem que sejam mister, e que as ponham naquela capela de Santa Maria a qual eu fiz no Mosteiro de São Simão e que cantem aí com elas e sirvam aí para todo o sempre por minha alma e pela de D. Sancha, minha mulher, e nem o Prior desse mosteiro nem o convento nem outrem nenhum não seja poderoso de os filhar nem de os embargar em nenhuma maneira nem de haver sobre eles posse nem poder ergo que sempre sirvam a essa capela.
Item, mando ao Mosteiro de Cedofeita por minha alma e por alma de minha mãe dez morabitinos.
Item, à Igreja de Santa Cruz, da Maia, quinze morabitinos.
Item, ao Mosteiro de Moreira seis morabitinos.
Item, ao Mosteiro de Vilela, seis morabitinos.
Item, ao Mosteiro de Palme seis morabitinos.
Item, a Estêvão Anes, de Pedrafita, ou a seus herdeiros um quarteiro de milhão, por medida de Rates, e quatro capões, que lhe filhei.
Item, mando aos Frades Pregadores do Porto cinco libras.
Item, mando aos Frades Menores cinco libras.
Item, à Igreja de Touguinhó duas libras.
Item, à Igreja de Bagunte um pucal de vinho.
Item, à Igreja de Rio Maior um quarteiro de pão por medida de Santarém.
Item, a Santa Maria de Marvila, de Santarém, um quarteiro de pão meado.
Item, à Igreja de Couço três morabitinos.
Item, à Igreja de São João das Caldas um pucal de vinho e um quarteiro de pão, por medida de Guimarães, e dois morabitinos por alma de Domingos Lourenço.
Item, mando à Igreja de Campanhã três libras.
Item, mando a João Pais, meu criado, três morabitinos.
Item, mando a Fernão Afonso cinco morabitinos.
Item, a Giral Gonçalves seis morabitinos.
Item, a Fernão e Anes seis morabitinos.
Item, aos gafos de Rates um quarteiro de pão.
Item, aos gafos de Vila do Conde um quarteiro de pão.
Item, a Maria Pais, minha criada, um quarteiro de pão (todo este pão pela medida de Rates).
Item, a Martim Martins quatro morabitinos.
Item, a Maria Martins, minha malada, oito morabitinos e dois quarteiros de pão pela medida de Rates.
Item, a Domingos Conselhão oito libras.
Item, mando que a herdade que eu comprei na Quintã de Vilar, de parte de Durança Pais e de Miguel Anes, seu marido, se vier seu sobrinho de Durança Pais, que era quinhoeiro na herdade, e quiser outorgar a venda que fez essa Durança Pais, esteja em paz, e se a não outorgar, venham meus herdeiros e desemparem daí o feito, assim como virem que é salvo de minha alma.
Item, mando oito morabitinos por alma de Elvira Senhões, que os houve do herdamento da Mamoa.
Item, ao filho de Martim Calça, de ribada (?), é um meio morabitino ou o que dêem por sua alma.
Item, mando a loriga que tenho em penhor a filhos de Soeiro Pais, de Vilar, e que dêem eles cinco morabitinos por que a hei.
Item, mando a filhos de João de Freião oito moios de vinho mole por medida de Guimarães e um moio de pão e dois bragais e uma espádua e um cabrito e dois capões e vinte ovos e um carneiro e duas soldadas de pão.
Item, mando a Domingos Covelas dois morabitinos.
Item, mando que façam cantar um anal de missas por minha alma.
Item, mando a Maria Veiga quinze morabitinos e dois moios de pão por medida de Rates por serviço que me fez, se eu a antes não casar que minha morte seja.
Item, trinta libras por alma daqueles de quem houve por força alguma coisa ou por rouba ou por mão brévio (?) e mando que os dêem ali onde virem meus executores que é bem.
Item, mando à moça que hei de Maria Veiga quarenta libras.
Item, mando a herdade de São Romão, que comprei a Lourenço Gonçalves e Cibrão Anes, de Ousenda Anes, sua tia, e trago-a eu, que a entreguem a filhos Cibrão Anes.
Item, mando que o rossio de trás do meu Paço, que rompeu Martim Penedas, que venham aqueles que aí hão quinhão e saibam quanto e dêem-lhes outro tanto por ele ou lho comprem como for guisado (?).
Item, mando que comprem meus herdeiros a Sancha Martins, minha filha, uma mula que eu dei na compra da herdade de Agrelos assim como virem que bem que era sua.
Item, mando que o arroto de Cabanelas que rompeu Domingos Mendim que o haja São Simão, que entendo que é seu, e quitem-lhe dele.
Item, mando que façam meus herdeiros uma casa pelo meu haver, entre a casa de Fernão Afonso e o meu curral, em que more Maria da Veiga e que a haja em todo o tempo de sua vida e depois da sua morte fique a João e a Vasco e a Gonçalves, meus filhos, sob tal condição como as outras coisas que lhes mando. Enquanto essa casa não for feita, mando que more na casa de sob o meu curral, que foi palheiro e que lha não possam tolher até que lhe façam a casa.
Item, mando a Estêvão, de Fradelos, quatro morabitinos.
Item, mando que o herdamento de Fanchal, que foi de Estêvão Cebolão, ponham-no em mão de meus executores e façam em guisa por onde minha alma seja desembargada, sem pena, e falem esta coisa com homens sisudos e por sua semel (geração) de Estêvão Cebolão ou por onde acharem que melhor e mais salvo de minha alma que ali o dê e desempeçam daí o feito.
Item, mando a João Martins, meu filho, que hei de Maria Peres, e a Vasco e a Gonçalves, outrossim meus filhos, que hei de Maria da Veiga, duzentas libras e o meu casal de Parada, em monte, em fonte, com todos seus direitos e suas pertenças, que o hajam todos três em sembra, por sempre; e se por ventura alguns neles quiserem vender ou dar ou emprazar, façam uns aos outros entre si ou a alguns de seus irmãos e com outrem não o possam fazer e se por ventura alguns deles morrerem sem semel este casal fique àqueles que ficarem vivos, e mando aos meus executores que guardem estas duzentas libras e que as metam em prol até que eles sejam de révora e que saibam procurar sua fazenda. E deixo-os em encomenda desses meus executores assim como deixo neles toda a minha manda.
Item, mando a Domingos, de Covas, seis morabitinos.
Item a João Citera dous morabitinos.
Item, a Afonso, filho de Pêro Afonso e sobrinho de Fernão Afonso, cinco libras.
Item, mando que estas coisas que eu mando aos mosteiros e às igrejas que se metem em vestimentas, em ornamentos dos altares que sirvam aí sempre por minha alma.
Item, mando que, se alguém vier e disser que eu houve dele alguma coisa por força ou por roubo ou por mau ganho ou por dívida, faça verdade qual deve fazer e paguem-lhe o que disser.
Item, faço e ordeno e estabeleço Garcia Martins, meu filho, meu executor e pagador de minha manda assim como a eu mando. E rogo a Gonçalo Domingues, Prior do Mosteiro de São Simão e a João Pais, abade de Santa Marinha de Ferreiró, que o ajudem a pagar minha manda e que hajam poder igual com o dito Garcia Martins em cumprir esta manda e, se algum deles morrer ou se não quisesse chegar a cumprir esta manda, mando que cada um deles ou todos em sembra que a cumpram pelo meu haver e dou poderio a todos em sembra ou a cada um deles que a possam fazer assim como eu mando.
Item, a Domingos, sobrinho, de Rates, três libras, e mando que todos aqueles que minha manda outorgarem e ajudarem a cumprir que hajam a minha bênção e de Deus, amém, e a todos aqueles que minha manda embargarem e não outorgarem hajam a minha maldição e a de Deus, amém.
E sobre tudo isto se alguns de meus filhos ou de minha semel contra esta manda quiser ir, mando que se cumpra pelo terço e pelo quinto do meu haver, também de móvel como da raiz do quinhão daquele que esta minha manda quiser embargar e pelo outro haver que eu houver.
Item, mando e defendo que nenhum dos meus filhos nem de minha semel não sejam poderosos de filhar rem do meu haver nem de fazerem partição outrossim até que minha manda seja paga e cumprida por mão destes meus executores ou por algum deles e, minha manda cumprida assim como dito é, venham meus filhos e partam entre si irmãmente tudo o resto que ficar.
Item, rogo a Lourenço Martins e Gonçalo Martins, cavaleiros de Cunha, que se alguém quiser embargar esta minha manda, que sejam eles aí por mim assim como eu deles fio e que não deixem aí fazer força a nenhum.
E por esta manda ser firme e estável e que não viesse em dúvida, roguei a Estêvão Geraldes, tabelião de Faria, que escrevesse esta minha manda e que pusesse aí seu sinal.
Feita no Casal, cinco dias por andar do mês de Janeiro na era de mil e trezentos e vinte e sete.
Os que foram presentes:
Garcia Martins, Cavaleiro de Fornelos, e
João Pais, abade de Figueiró (sem dúvida, Ferreiró, como consta acima), e
Lourenço Peres, escudeiro do Outeiro, e
Pêro Miguéis, escudeiro,
e eu Estêvão Geraldes, público tabelião de Faria, a rogo e mandado do dito Martim Peres, cavaleiro do Casal, este instrumento com minha mão própria escrevi e, presente, o meu sinal aí pus em testemunho da verdade.

Lugar do sinal público.


Um Cavaleiro filho de Fariseu

Na história dos senhores da Casa de Cavaleiros há gente de apelido Fariseu.
Nesta doação de 1328 “que fez ao Mosteiro de São Simão da Junqueira de entre Ave e Este Gonçalo Esteves do padroado que neles tinha” ocorre um: o doador era filho de Domingos Peres Fariseu.

Saibam todos que eu Gonçalo Esteves, filho que fui de Domingos Peres Fariseu e sua mulher, Inês Peres, vendo e considerando o serviço de Deus e proveito de minha alma e outrossim considerando muito mal e muito desaguisado que eu e meu pai e aqueles de onde eu venho fizeram ao Mosteiro de São Simão que jaz entre Ave e Este, da Ordem de Santo Agostinho, do Arcebispado de Braga, e prol da minha alma, de minha livre vontade, sem constrangimento nenhum, dou e faço doação ao Mosteiro de São Simão do padroado e de todo o testamento e da posse e do comer e do pousar e do albergamento no dito mosteiro e todo outro direito que eu hei e de direito devo haver no dito mosteiro, que o dito mosteiro haja para todo o sempre, e mando e outorgo quanto é por mim e pela minha razão que eu nem nenhum de depois de mim venha não haja nem demande nenhuma coisa no dito mosteiro, como padrão nem como pousador; se o aí demandar, que não valha e demais aquele que o demandar peite ao dito mosteiro em nome de pena cem morabitinos velhos portugueses e ao senhor da terra outro tanto. E o instrumento da dita doação para sempre seja valioso, esteja em sua fortaleza. E prometeu, como era filho de algo, não ir por mim nem por outrem. Isto faço ao dito mosteiro para se fazer aí o serviço de Deus e para não ser a minha alma perdida e rogo por Deus ao dito Prior e ao convento que me perdoem o mal e desaguisado que lhes hei feito e ao dito mosteiro. E peço por mercê ao Arcebispo de Braga ou aos seus vigários ou vigário ou a qualquer que nisto haja poder que dê aí seu outorgamento e sua autoridade para valer para sempre em testemunho destas coisas de suso ditas.
Testemunhas:
Estêvão Peres, Juiz de Faria, e
Domingos Cincão e
Martim Geraldes, frade de Refóios das Aves, mancebo do dito mosteiro, e
Martim Anes, frade e
Pêro Domingues, escolar, e outros muitos.
Eu, Domingues Esteves, público tabelião de El-Rei na Terra de Faria este instrumento escrevi e meu sinal aí pus, que talhe (?).
Feito foi no dito mosteiro, oito dias de Março, era de mil trezentos e sessenta e seis anos.

Lugar do sinal público.


Topónimos estranhos (1332)

O documento abaixo vem de 1332, do tempo de Afonso IV. Fala de Corvos, em Bagunte, mas também de terras no Outeiro Maior. E foi feito em Cavaleiros, quando a casa era conhecida por Casal e os seus donos ainda não seriam Ferreiras ou eram-no desde há poucos anos.
Ocorrem nele topónimos estranhos. Aquela leira de Sob-Muro, em Corvos, enviará para qualquer muralha da Cividade? O Monte da Forca, esse certamente evocará a mesma Cividade…
No Outeiro Maior creio que Aparavo é hoje desconhecido, bem como Porto dos Assuceiros (neste caso, porto é simples local de passagem…) Pelos vistos, nas Inquirições de D. Dinis, a freguesia foi identificada como S. Martinho de Gatim (Gacim), e nelas se menciona o lugar do Penedo, sem dúvida o Casal do Penedo deste documento.

Reconhecimento que fizeram Pedro do Casal e sua mulher, Teresa Fernandes, de uns herdamentos que trazem do Mosteiro de São Simão da Junqueira nas freguesias de Bagunte e São Martinho do Outeiro

Saibam quantos este instrumento virem ou ler ouvirem que eu, Pedro do Casal, em sembra com minha mulher, Teresa Fernandes, conhecemos e confessamos que nós trouxemos herdamentos do Mosteiro de São Simão da Junqueira, convém a saber, um meio casal de Corvos, que é cabeça onde mora Santil, onde soía Urraca Gonçalves ter o celeiro; o qual meio casal há herdade de uma leira que chamam Sob-muro, que parte com a de Margarida Soares, que é do dito mosteiro, e outra leira que chamam do Coval, que entesta com a de Sob-muro; e as outras leiras que jazem no lugar que chamam Monte da Forca, que partem com Margarida Soares e com Rui Garcia, e a Cortinha do Figueiredo, que jazem sob a de Margarida Soares, e a leira dos Linhares, que parte com a de Miguel Durães, que é do dito mosteiro. Os quais herdamentos são na freguesia de Santa Maria de Bagunte.
Item, disseram que na dita freguesia havia mais no lugar que chamam Agra da Póvoa duas leiras que fazem uma junta com a herdade do Casal de Rui Garcia do Casal, e a outra leira jaz a cabo de Martim da Póvoa, que é do dito mosteiro.
Item, disseram que traziam do dito Mosteiro, na freguesia de São Martinho do Outeiro, uma leira onde chamam Aparavo, que é a sobre o rego de água que vai contra o Outeiro, e outra leira de Sob-Rego e outra leira que chamam da Porta e três margens que vão contra o Porto dos Assuceiros, e todas as outras herdades que nós trazemos nas ditas freguesias, em seus termos que possam ser achadas, que nós aí trazemos com direito e com verdade, que nós aí trazemos, que são do dito mosteiro, e de todas lhe abrimos mão, que as haja para todo o sempre.
Aparício Esteves, Prior do dito mosteiro, por si e pelo dito mosteiro e pelo convento cujo procurador era, perdoou aos sobreditos todas as cousas que houveram dos ditos herdamentos até aqui.
E outrossim o dito Prior outorgou ao dito Pedro do Casal e à dita sua mulher que eles houvessem todos os herdamentos sobreditos em todos os dias de suas vidas por tal herdade que eles deram e doaram e outorgaram para todo o sempre ao dito mosteiro, convém a saber qual herdade, a que jaz a cabo das casas de João Domingues, de Gacim, que parte com as leiras do Casal de Penedo, que é de Aires Rodrigues e de Estêvão, do Casal; da qual herdade o dito Prior foi logo metendo em posse por Vasco Rodrigues, Procurador abondoso para isto dos sobreditos Pedro do casal e de sua mulher, e do dito Prior por si em nome do dito mosteiro e convento, recebeu a posse do dito herdamento.
E as ditas partes se outorgaram as ditas coisas e rogaram e mandaram a mim, Domingos Esteves, tabelião de El-Rei na terra de Faria, que das ditas coisas lhes fizesse dois instrumentos similáveis um ao outro.
Testemunhas:
Pedro Geraldes e Martim Anes, cónegos do dito Mosteiro, e
Afonso Anes, frade de Manhente, e
Domingos Martins Cincão, e
Vasco Rodrigues, escudeiro, e
João Domingos, escolar, e
João Peres, clérigo, e outros.
E eu, sobredito Tabelião, este instrumento escrevi e o meu sinal aí pus, que tal é.
Foi feito no Casal, vinte e um dias de Fevereiro, era de mil trezentos e setenta anos.

Ligar do sinal público.


Um Escudeiro de Fornelos

Este documento data de 1338 (1376 é era de César), do tempo de Afonso IV. As finanças do escudeiro Martim Martins não andariam muito bem.
Importante a menção do lugar do Outeiro: de facto parece que a igreja paroquial da freguesia foi construída sobre um antigo outeiro.
Importante também que o documento tenha sido “feito” “a par da Pedra do Couto de Rates de sobre-Guardes, do termo de Faria”. Há boas razões para crer que tal pedra corresponda a um antigo menir.

Compra que fez Martim Martins a Estêvão Moniz e sua mulher de uma casa, vinha e pomar em São Martinho do Outeiro 
Em nome de Deus, Amém.
Esta é a carta de vendição (venda) e de perdurável firmidão (firmeza) a qual encomendamos a fazer eu, Estêvão Moniz, escudeiro, morador em Fornelos, freguesia de São Martinho do Outeiro, com minha mulher, Guiomar Esteves, a vós, Martim Martins, morador em Vila do Conde, e a vossa mulher, Geralda Gonçalves, da nossa casa que nós havemos no lugar que chamam Outeiro, com seu pomar e com sua vinha e com todos seus direitos e pertenças e com entradas e com saídas novas e antigas e com águas – a qual casa, vinha e pomar e outras pertenças da dita casa são na freguesia de São Martinho do Outeiro – por preço que de vós recebemos, convém a saber, cem libras de dinheiros portugueses, com sua révora (sic), e do preço nem da révora, contra nós não ficou por dar. Hajais vós e toda vossa geração a dita casa e vinha e pomar, com suas pertenças, como dito é, para sempre. E mandamos e outorgamos que se vos outrem por nós vier que este nosso feito queira tentar ou britar, que lhe não seja outorgado mais tanto de mandar, outro tanto a vós em dobro componham e a vós ou a quem vossa voz derdes cem morabitinos peite e ao senhor da terra outro tanto, e todavia esta carta ser firme e valiosa para sempre.
Testemunhas que presentes foram:
Lourenço Francisco, morador em Pena
João Martins, morador em Vila do Conde, filho do dito Martim Martins
Gonçalo Domingues de Fontão, Couto de S. Simão
Martim Peres, filho que foi de Pêro Martins da Pena, e outros.
Eu, João Fernandes, tabelião de Faria, esta carta escrevi e meu sinal aí pus, que tal é.
Feita a carta a par da Pedra do Couto de Rates de sobre-Guardes, do termo de Faria, dezasseis dias de Abril, era de mil trezentos e setenta e seis anos.
Lugar do sinal público.
Pedra do Couto de Rates mencionada no documento.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Testamento de Rui Gomes, do Casal de Cavaleiros

Testamento de Rui Gomes, do Casal de Cavaleiros, em que manda ser enterrado no Mosteiro de São Simão de entre Ave e Este e lhe deixa dois morabitinos com obrigação de uma missa oficiada cada ano pelo dia que ele fosse enterrado

Em nome de Deus, amém, e da Virgem Santa Maria, sua Mãe.
Eu, Rui Gomes, do Casal, Escudeiro, jazendo doente em meu siso e em meu entendimento, temendo o dia do juízo, dou a minha alma a Deus e à Virgem Santa Maria, sua Mãe, que me haja dela mercê.
E mando o meu corpo ser soterrado em São Simão de entre Ave e Este e mando comigo ao Mosteiro de São Simão, para sempre, dois morabitinos velhos, um ao celeiro e outro ao convento, e que me digam uma missa oficiada por aquele dia que for soterrado em cada um ano.
Item, mando que deixem tanta da minha herdade que o dito mosteiro e convento hajam os ditos dois morabitinos em cada um ano; e esta herdade por que se houverem de pagar os dois morabitinos, tenha-a Estêvão Ferreira ou Constança Gomes, minha irmã, e qual deles primeiro sair fique ao outro paguem os ditos dois morabitinos.
Item, mando a Estêvão Ferreira que venda todas as coisas que eu hei, assim móveis como raiz, e pague todas as dívidas que eu devo; e desde que for tudo pago, mando que o mais que ficar que o dêem por minha alma e pela do meu pai e que haja o dito Estêvão Ferreira e Constança Gomes, minha irmã, os ditos bens tanto por tanto.
Item, mando que dêem cinquenta libras a Teresa, minha filha, e mando isto se faça pelo meu haver, e não por mais, e os de Estêvão Ferreira ser a salvo os seus bens; e para isto deixo por meu testamenteiro o dito Estêvão Ferreira, que cumpra isto eu mando.
Item, mando que todos aqueles que forem de boa fama e fizerem verdade aos Santos Evangelhos que lhes eu alguma cousa devia, que lho paguem, se houver por onde.
Testemunhas a isto presentes:
Martim Fernandes, escudeiro da Maia, e
Martim Geraldes, cónego do dito Mosteiro de São Simão, e
Estêvão Moniz, escudeiro
Vasco Rodrigues e
Domingos Martins Cincão e
Estêvão Martins, moradores no Casal, e
Domingos André, morador em Fornelos, e outros.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Doação feita por Estêvão Ferreira ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira em 1375

O importante documento que se transcreve abaixo e que garante a doação feita por Estêvão Ferreira em 1375 ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira não é desconhecido dos estudiosos (nem na Internet).
Os Cavaleiros do Outeiro Maior, em termos genealógicos, começaram bem: basta lembrar D. Fáfia Guterres e seus antepassados próximos, que foram pessoas de alto estatuto. Depois parece não o terem conseguido manter: ao que se sabe, não ocorrem nos Livros de Linhagens e a este Estêvão Ferreira (houve outros) não é atribuído aqui o tratamento de dom: é um escudeiro.
Mas não é um escudeiro qualquer: a sua doação é feita na cidade do Porto e testemunhada por gente categorizada. Aliás, este Cavaleiro parece marcou muito positivamente a história da família. 

Doação que fizeram Estêvão Ferreira, escudeiro, e sua mulher, Mor Martins, ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira do casal e meio de Chantada e casal Gontinho com obrigação de umas missas cantadas cada ano 
Em nome de Deus, amém.
Saibam quanto este instrumento de doação virem que eu, Estêvão Ferreira, escudeiro, eu, Mor Martins, sua mulher, moradores no Casal de Cavaleiros, de nossas livres vontades, damos para todo o sempre ao Mosteiro de São Simão da Junqueira, do Arcebispado de Braga, o nosso casal e meio que havemos no couto do dito mosteiro, no lugar que chamam Chantada, e casal do Godinho, que partem com outras herdades do dito mosteiro de todas as partes, no qual ora mora Pêro Gago e André, o qual casal e meio lhe damos em doação e por nossas almas para sempre, com todas as suas pertenças, entradas e saídas novas e antigas, que os haja o dito mosteiro melhor se o ele melhor puder haver, com esta condição, que o dito Prior, que ora o é do dito mosteiro, e os outros que depós ele vierem cantem em cada um ano duas missas oficiadas no dito mosteiro pelas almas do dito Estêvão Ferreira e sua mulher e pelas almas daqueles a que são teúdos, convém a saber, uma por dia de São Simão e a outra missa por dia de omnium Sanctorum (de Todos os Santos). E por esta carta de doação que lhe damos mandamos ao dito Prior que por si e por quem a ele aprouver tome posse do dito casal e meio e novos e rendas dele.
E prometeram os ditos Estêvão Ferreira e sua mulher nunca irem contra esta doação em parte nem em todo e, se contra ela fossem, pagassem ao dito mosteiro quinhentas libras de dinheiros portugueses de pena e em nome da pena e, paga a dita pena ou não, todavia esta doação valer, ser firme e estável para sempre, das quais cousas Estêvão Anes, Prior do dito mosteiro, pediu um instrumento.
Feito foi na cidade do Porto nas pousadas do dito Estêvão Ferreira, vinte e quatro dias do Maio, era de mil e quatrocentos e treze anos.Testemunhas:
Lourenço Afonso, clérigo de Estêvão Ferreira
Gonçalo Esteves, tabelião de Faria
Vasco Gonçalves, ouvidor do Conde D. Gonçalo
Garcia Gonçalves, tabelião do Porto, e outros.
E eu, Afonso Martins, tabelião d’El-Rei, que este instrumento, por outorgamento dos sobreditos, escrevi e fiz meu sinal.

Lugar do sinal público.


Aspecto da ruína da torre do palácio de Cavaleiros no Outeiro Maior.



Filhos de Estêvão Ferreira

O documento que se segue merece a maior atenção pela luz que faz sobre Cavaleiros. Um tio e uma tia de Estêvão Ferreira - documento anterior - haviam feito uma doação ao Mosteiro da Junqueira; cinquenta e três anos depois, os filhos deste senhor de Cavaleiros dão o seu aval a esse legado.
Quem eram esses filhos? O documento identifica, parece, seis:
Martim Ferreira, Arcediago do Couto (da Junqueira, sem dúvida)
Álvaro Ferreira, Abade de Santa Maria de Bagunte do julgado de Faria
Aldonça Ferreira, mulher de João Afonso, escrivão
Catarina e Guiomar Ferreira, freiras em Santa Clara de Vila do Conde 
Anes Ferreira, menor
O documento data de 1394 (posterior à revolução que levou ao poder D. João I).
Estêvão Ferreira terá casado com uma herdeira rica e assim conseguido uma posição muito favorável para os descendentes.

Outorga que fizeram Martins Ferreira, Arcediago do Couto, e Álvaro Ferreira, Abade de Bagunte, e outros aos instrumentos de Rui Gomes, do Casal dos Cavaleiros atrás escrito, nº 66, e ao de Teresa Gomes

Saibam todos quantos este instrumento (virem?) como eu, Martim Ferreira, Arcediago do Couto e filho que fui de Estêvão Ferreira e de Mor Martins, sua mulher, e eu, Álvaro Ferreira, Abade de Santa Maria de Bagunte do julgado de Faria, e eu, João Afonso, escrivão, como procurador que sou de Aldonça Ferreira, minha mulher, e eu, Gonçalo Martins, procurador da Abadessa e Convento de Santa Clara de Vila do Conde e em nome de Catarina e Guiomar Ferreira, freiras, e eu, Álvaro Gonçalves, em nome de Anes Ferreira, cujo tutor sou, nos praz e outorgamos, em quanto pertence às nossas partes, que dois morabitinos que mandou Rui Gomes, do Casal, e dois Teresa Gomes e um morabitino Pêro, do Casal, ao Mosteiro de São Simão da Junqueira de entre Ave e Este, que os haja o dito mosteiro segundo é contido em seus testamentos e que lhe não ponhamos neles embargo em quanto a nós pertence e que o dito mosteiro fizesse e cumprisse as coisas contidas nos ditos testamentos segundo neles é contido.
E estando a isto presente Estêvão Domingues, Prior do dito mosteiro disse que lhe prazia de cumprirem os ditoso testamentos e pediu um instrumento para guarda do direito do dito mosteiro.
Feito foi no dito souto do dito mosteiro, seis dias do mês de Agosto de mil quatrocentos e trinta e dois anos.
Testemunhas:
Domingos Libraces (?), Prior do Mosteiro de Moreira
E João Egas, abade
E Gonçalo Afonso, de Rates
E Esteve Afonso, de Fornelos, e outros.
E eu, Gonçalo Anes, tabelião de El-Rei em terra de Faria e de Rates, que este instrumento escrevi e aí fiz meu sinal, que tal é.
Lugar do sinal público.


Sobre os Ferreiras de Cavaleiros, encontra-se aqui muita informação, aparentemente bem documentada.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Inquirição do Casal de Quintandura em São Martinho do Outeiro (1391)

Saibam todos que no ano da era de mil e quatrocentos e vinte e nove anos, onze dias do mês de Fevereiro, em Quintandura, freguesia de São Martinho do Outeiro, do Julgado de Faria, em presença de mim, Giral Lourenço, tabelião d’El-Rei em terra de Faria, e as testemunhas que adiante são escritas, Estêvão Domingues, Prior do Mosteiro de São Simão da Junqueira, chegou ao dito lugar de Quintandura e disse e requereu Andere Martins, morador no dito lugar de Quintandura, que presente estava, que ele e o dito mosteiro tinham e haviam casas e vinhas e herdades no dito lugar de Quintandura e que partiam com Vasco Martins de Alrarro e com outras pessoas e dizia o dito Prior que a ele era dito que o dito Vasco Martins, com o dito Andere Martins, com outras pessoas, andara apegando as ditas herdades para ver de saber quais eram suas e ora dizia e requeria o dito Prior ao dito Andere Martins que pois ele lavrava e possuía as ditas casas e vinhas e herdades, e assim andava com o dito Vasco Martins quando as a si apegavam, que por sua verdade dissesse e declarasse quais eram as ditas herdades e casas e vinhas e que o dissesse presente mim, tabelião sobredito, com as testemunhas adiante escritas. E o dito Andere Martins disse que por sua verdade diria as que soubesse, as quais ele vira estremar da do dito Vasco Martins.
E logo o dito Prior, presentes as testemunhas com o dito Andere Martins, apegou as ditas herdades e pelo dito Andere Martins foi dito que ele sabia estas que adiante seguem. Primeiramente:
Item, o Talho do Caril do Outeiro, que vai entestar nas três margens de Martins Fernandes.
Item, outro talho que vai a topar na Eira de Vasco Martins que trago em (?) Domingos Domingues do Outeiro escambada por outro terreno da Veia Cova.
Item, outro talho do Tagildo, como vai topar a fundo do talho de Domingos do Outeiro, em chave, e entesta em outra de Vasco Martins, em chave.
Item, a Leira do Ribeiro, como se vai ao pomar.
Item, a Cortinha de entre as cozinhas, com as suas casas e vinha e o Bacelo, que está marcado por marcos e por valos.
Item, a metade do Pereiro, de contra a estrada.
Item, na Corredoura, uma cabeçada contra a cancela.
Item, na Varziela a sob os marcos e acima dos marcos, parte por meio com Vasco Martins a de cima dos marcos.
Item, a Leira da Velha parte da uma parte com uma leira de Arnoso e da outra parte com Martim do Penhado.
Item, o Agrago do Pedaço, que entesta de uma parte com João Peres, do Penedo, e da outra parte com Arnoso.
Item, a Leira do Casal, que parte por meio com Arnoso e da outra parte com Vasco Martins, de contra o pomar.
Item, uma leira em Gacim Tre-lo-Viso, que parte da uma parte com Martim Fernandes e da outra parte com Pedro de Gacim.
A qual herdade, assim achada e apegada com o dito André Martins e com as testemunhas adiante escritas, o dito Prior pediu a mim tabelião sobredito um instrumento ou dois ou mais aqueles que lhe cumprissem para guarda do seu direito.
Feito no dito lugar, dia e mês e era sobreditos.
Testemunhas que a isto foram presentes:
Estêvão Afonso, Juiz de Faria, e Martim Acenso, e João Andere, e Afonso Domingues, moradores em Ferreiró, e João de Viseu e Martinho do Penedo, e Domingos Miguéis, moradores na freguesia de São Martinho do outeiro, e António do Monte, e Estêvão, seu filho, e outros.
E eu, sobredito tabelião, que a isto tudo presente fui e isto aqui escrevi e o meu sinal em testemunho da verdade fiz, que tal é.
Lugar do sinal público.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Um Juiz de Paz outeirense

Em parte do ano de 1835 e primeira metade do de 1836, houve um activo, bem-sucedido Juiz de Paz outeirense: António Francisco de Sá. A sua actividade estendia-se às freguesias de Parada, Ferreiró, Balasar e à freguesia da sede, S. Martinho do Outeiro (que ainda não era Maior, mas, em Agosto de 1835, num documento do Governo, já passou a ser). O Juízo de Paz começara em finais de 1834 em Parada, mas rapidamente viera para o Outeiro. Acorreu sobretudo gente de Balasar às conciliações do juiz outeirense.
António Francisco de Sá era homem abastado e sem filhos. Deixou os bens a um rapaz de S. Gido, de nome José Gonçalves, que está na origem dos actuais Gonçalves do Outeiro.
Em meados de 1836, o Juízo de Paz passou  para António José dos Santos, para Balasar: do Outeiro, Parada e Ferreiró nunca lá apareceu ninguém.