quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Doação feita por Estêvão Ferreira ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira em 1375

O importante documento que se transcreve abaixo e que garante a doação feita por Estêvão Ferreira em 1375 ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira não é desconhecido dos estudiosos (nem na Internet).
Os Cavaleiros do Outeiro Maior, em termos genealógicos, começaram bem: basta lembrar D. Fáfia Guterres e seus antepassados próximos, que foram pessoas de alto estatuto. Depois parece não o terem conseguido manter: ao que se sabe, não ocorrem nos Livros de Linhagens e a este Estêvão Ferreira (houve outros) não é atribuído aqui o tratamento de dom: é um escudeiro.
Mas não é um escudeiro qualquer: a sua doação é feita na cidade do Porto e testemunhada por gente categorizada. Aliás, este Cavaleiro parece marcou muito positivamente a história da família. 

Doação que fizeram Estêvão Ferreira, escudeiro, e sua mulher, Mor Martins, ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira do casal e meio de Chantada e casal Gontinho com obrigação de umas missas cantadas cada ano 
Em nome de Deus, amém.
Saibam quanto este instrumento de doação virem que eu, Estêvão Ferreira, escudeiro, eu, Mor Martins, sua mulher, moradores no Casal de Cavaleiros, de nossas livres vontades, damos para todo o sempre ao Mosteiro de São Simão da Junqueira, do Arcebispado de Braga, o nosso casal e meio que havemos no couto do dito mosteiro, no lugar que chamam Chantada, e casal do Godinho, que partem com outras herdades do dito mosteiro de todas as partes, no qual ora mora Pêro Gago e André, o qual casal e meio lhe damos em doação e por nossas almas para sempre, com todas as suas pertenças, entradas e saídas novas e antigas, que os haja o dito mosteiro melhor se o ele melhor puder haver, com esta condição, que o dito Prior, que ora o é do dito mosteiro, e os outros que depós ele vierem cantem em cada um ano duas missas oficiadas no dito mosteiro pelas almas do dito Estêvão Ferreira e sua mulher e pelas almas daqueles a que são teúdos, convém a saber, uma por dia de São Simão e a outra missa por dia de omnium Sanctorum (de Todos os Santos). E por esta carta de doação que lhe damos mandamos ao dito Prior que por si e por quem a ele aprouver tome posse do dito casal e meio e novos e rendas dele.
E prometeram os ditos Estêvão Ferreira e sua mulher nunca irem contra esta doação em parte nem em todo e, se contra ela fossem, pagassem ao dito mosteiro quinhentas libras de dinheiros portugueses de pena e em nome da pena e, paga a dita pena ou não, todavia esta doação valer, ser firme e estável para sempre, das quais cousas Estêvão Anes, Prior do dito mosteiro, pediu um instrumento.
Feito foi na cidade do Porto nas pousadas do dito Estêvão Ferreira, vinte e quatro dias do Maio, era de mil e quatrocentos e treze anos.Testemunhas:
Lourenço Afonso, clérigo de Estêvão Ferreira
Gonçalo Esteves, tabelião de Faria
Vasco Gonçalves, ouvidor do Conde D. Gonçalo
Garcia Gonçalves, tabelião do Porto, e outros.
E eu, Afonso Martins, tabelião d’El-Rei, que este instrumento, por outorgamento dos sobreditos, escrevi e fiz meu sinal.

Lugar do sinal público.


Aspecto da ruína da torre do palácio de Cavaleiros no Outeiro Maior.



Filhos de Estêvão Ferreira

O documento que se segue merece a maior atenção pela luz que faz sobre Cavaleiros. Um tio e uma tia de Estêvão Ferreira - documento anterior - haviam feito uma doação ao Mosteiro da Junqueira; cinquenta e três anos depois, os filhos deste senhor de Cavaleiros dão o seu aval a esse legado.
Quem eram esses filhos? O documento identifica, parece, seis:
Martim Ferreira, Arcediago do Couto (da Junqueira, sem dúvida)
Álvaro Ferreira, Abade de Santa Maria de Bagunte do julgado de Faria
Aldonça Ferreira, mulher de João Afonso, escrivão
Catarina e Guiomar Ferreira, freiras em Santa Clara de Vila do Conde 
Anes Ferreira, menor
O documento data de 1394 (posterior à revolução que levou ao poder D. João I).
Estêvão Ferreira terá casado com uma herdeira rica e assim conseguido uma posição muito favorável para os descendentes.

Outorga que fizeram Martins Ferreira, Arcediago do Couto, e Álvaro Ferreira, Abade de Bagunte, e outros aos instrumentos de Rui Gomes, do Casal dos Cavaleiros atrás escrito, nº 66, e ao de Teresa Gomes

Saibam todos quantos este instrumento (virem?) como eu, Martim Ferreira, Arcediago do Couto e filho que fui de Estêvão Ferreira e de Mor Martins, sua mulher, e eu, Álvaro Ferreira, Abade de Santa Maria de Bagunte do julgado de Faria, e eu, João Afonso, escrivão, como procurador que sou de Aldonça Ferreira, minha mulher, e eu, Gonçalo Martins, procurador da Abadessa e Convento de Santa Clara de Vila do Conde e em nome de Catarina e Guiomar Ferreira, freiras, e eu, Álvaro Gonçalves, em nome de Anes Ferreira, cujo tutor sou, nos praz e outorgamos, em quanto pertence às nossas partes, que dois morabitinos que mandou Rui Gomes, do Casal, e dois Teresa Gomes e um morabitino Pêro, do Casal, ao Mosteiro de São Simão da Junqueira de entre Ave e Este, que os haja o dito mosteiro segundo é contido em seus testamentos e que lhe não ponhamos neles embargo em quanto a nós pertence e que o dito mosteiro fizesse e cumprisse as coisas contidas nos ditos testamentos segundo neles é contido.
E estando a isto presente Estêvão Domingues, Prior do dito mosteiro disse que lhe prazia de cumprirem os ditoso testamentos e pediu um instrumento para guarda do direito do dito mosteiro.
Feito foi no dito souto do dito mosteiro, seis dias do mês de Agosto de mil quatrocentos e trinta e dois anos.
Testemunhas:
Domingos Libraces (?), Prior do Mosteiro de Moreira
E João Egas, abade
E Gonçalo Afonso, de Rates
E Esteve Afonso, de Fornelos, e outros.
E eu, Gonçalo Anes, tabelião de El-Rei em terra de Faria e de Rates, que este instrumento escrevi e aí fiz meu sinal, que tal é.
Lugar do sinal público.


Sobre os Ferreiras de Cavaleiros, encontra-se aqui muita informação, aparentemente bem documentada.

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