terça-feira, 7 de abril de 2015

D. Fáfia Guterres

D. Fáfia Guterres (também se escreve Fafia) terá vivido em finais do século XI e na primeira metade do século XII, mais ou menos ao tempo do Conde D. Henrique e de D. Teresa e ainda do de D. Afonso Henriques. Ainda vivia em 1151 e era um senhor. Nessa data, com outros, fez um documento ao Mosteiro da Junqueira… Mas foi ele o principal doador.
O que o torna importante para a história do Outeiro Maior é o facto de em 1258 se escrever sobre ele, a respeito dos Cavaleiros, que são da estirpe – de genere – de D. Fáfia Guterres. Passava já cerca de um século sobre a sua morte. Isso fá-lo uma referência incontornável na parte mais recuada da genealogia destes senhores.
Segundo Sérgio Lira, terá sido filho de D. Guterres (os Lourenços da Cunha, que criaram a Quinta de Cunha, são também descendentes do mesmo).
Em 1167, os filhos de D. Fáfia Guterres fizeram partilha dos bens herdados do pai. O documento é breve, veja-se ao menos o essencial dele.
In Dei nomine. Ego Suerius Fafiz et Maior Fafiz una cum viro meo Petro Pelaici et Martinus Fafiz et Petruz Fafiz et Nunus Fafiz facimus plazum ex nostra bona voluntate de hereditate tota que nos advenit de nostro patre Fafie Gutieriz (…)
Em nome de Deus. Eu, Soeiro Fafes e Mor Fafes (juntamente com o meu marido, Pedro Pais) e Martinho Fafes e Pedro Fafes e Nuno Fafes, fazemos um acordo de bom entendimento sobre toda a herança que nos vem de nosso pai Fáfia Guterres (…)

Transcrevemos agora uma extensa citação do livro de Sérgio Lira Mosteiro de S. Simão da Junqueira - I, página 78:
Outro grupo familiar que vemos ter relação com a instituição (Mosteiro de S. Simão da Junqueira) é o constituído pelos descendentes de Paio e Fafia Guterres. Não temos qualquer prova de relação familiar entre eles, mas a cronologia das suas referências documentais, a igualdade do patronímico, a região geográfica onde transaccionam propriedades e a relação patronal com o mosteiro levam a admitir que tenham sido irmãos. De facto, já em 1151 encontramos um Fafia G. num documento em que é designado, entre outros, como patrono do mosteiro. Supomos não errar desdobrando essa abreviatura em Guterres, uma vez que o encontramos citado em 1084 como testemunha do acto de Soeiro Rouco, que já referimos. Encontrá-lo-emos, novamente, referido em documento de 1167 e, depois em 1180, sempre explicitamente como ascendente de patronos do cenóbio.
O documento mais antigo que menciona D. Fáfia Guterres fala de Gacim e do Mosteiro da Junqueira (vem de 1084).


Soeiro Fafes em Ferreiró

Nas Inquirições de 1220, nos Foros e Dádivas, ao falar de Ferreiró, informa-se que “há lá um casal de que costumavam dar outro tanto (como certas propriedades já mencionadas) e entrava aí o mordomo. E comprou-o o cavaleiro Soeiro Fafes e depois nada mais deram dele nem entra lá o mordomo porque o cavaleiro D. Romeu matou um e Martinho Mouro outro e depois os mordomos não ousaram mais lá entrar”.

Estes D. Romeu e Martinho Mouro deviam ser familiares de Soeiro Fafes, o filho de D. Fáfia Guterres. Tais bravatas de nobres eram então bastante comuns. 
Ferreiró foi quase na totalidade terra de Cavaleiros.
Aspecto da antiquíssima matriz de Ferreiró.

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